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5 de out. de 2011

NHT / Brava Linhas Aéreas

          Em agosto de 2006, José Moacyr Teixeira, fundador da Planalto (transporte de passageiros e encomendas) e do grupo JMT,  de Santa Maria (RS), resolveu criar uma empresa aérea regional. Ao dar o nome para a nova empresa batizou-a de NHT Linhas Aéreas, usando as iniciais do nome de sua esposa Norma Helga Teixeira, falecida pouco antes da fundação.
          A companhia tinha sede em Porto Alegre e sua principal intenção era ocupar uma lacuna deixada no mercado regional da região Sul.
          A aeronave escolhida para compor sua frota foi o LET-410, um turboélice fabricado na República Tcheca que tem capacidade para 19 passageiros, ideal para a proposta da companhia. O primeiro deles a pousar em território brasileiro foi o PR-NHA, que chegou no Nordeste, em uma escala técnica, no dia 21 de maio de 2006 procedente da Ilha do Sal. Ao todo foram seis LET-410s encomendados pela NHT e além do ‘NHA’, a empresa começaria suas operações também com o PR-NHB, que foi entregue em seguida. As primeiras cidades que estavam nos planos da companhia eram Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, Rio Grande, Horizontina e Santa Rosa.
          O início das operações regulares foi marcado para o dia 28 de agosto de 2006, mas alguns dias antes foi realizado um voo de demonstração sobrevoando as cidades de Porto Alegre, Caxias do Sul e Bom Jesus. Dentre os 19 passageiros a bordo, estavam o então governador Germano Rigotto e outras autoridades do Estado.
          A manhã da segunda-feira do dia 28 de agosto de 2006 começou gelada. Segundo relatos, os funcionários chegaram no Aeroporto de Santa Maria por volta das 04h da manhã e deram de cara com a porta fechada. Eles aguardaram alguns instantes no frio de 4 °C e até o terminal ser aberto.
          Por volta das 05h15 o momento tão esperado chegou! O LET-410 da NHT Linhas Aéreas decolou de Santa Maria, marcando não só o primeiro voo da companhia, mas também quebrando um hiato de mais de dois anos sem voos no Aeroporto de Santa Maria. Com 12 passageiros a bordo, o bimotor tcheco voou em direção à capital gaúcha, onde pousou 55 minutos depois, quando o sol ainda nem havia nascido.
        Em suas primeiras semanas, a NHT realizava uma média de 12 voos diários, com os seus dois LET-410s e atendia as cidades de Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Caxias do Sul e Porto Alegre.
          No dia 7 de dezembro de 2006, a companhia completou 100 dias de operação e já havia realizado mais de mil voos, transportando por volta de 6.8 mil passageiros a bordo de seus bimotores. Ainda em dezembro, a companhia começou a voar para Livramento, mas na verdade utilizando o aeroporto da cidade vizinha de Rivera, localizada do outro lado da fronteira, no Uruguai. Novas cidades como Santo Ângelo, Navegantes, Curitiba, Santa Rosa, Horizontina e Uruguaiana foram sendo adicionadas ao mapa de rotas da NHT Linhas Aéreas, que estava planejando a chegada de dois novos LET-410.
Foto: Tito Leandro Borges via site Planespotters.net
          No dia 30 de março de 2007, o terceiro bimotor tcheco da NHT tocou o solo gaúcho. Matriculado de PR-NHC e batizado com o nome Polaris, o turboélice voou desde o Aeroporto de Kunovice, onde fica a fábrica da LET, até Porto Alegre realizando um pinga-pinga em outros cinco aeroportos.
          Pouco mais de 3 meses após a chegada do ‘NHC’, foi a vez do PR-NHD ser incorporado à frota da aérea regional. A aeronave tocou o solo gaúcho às 17h20 do dia 11 de julho de 2007.
          Com duas novas aeronaves na frota, a NHT continuou expandindo suas operações com a ampliação das frequências no trajeto Porto Alegre – Pelotas – Rio Grande para três voos diários e iniciando ligações para Erechim, Passo Fundo, além de solicitar operações para Florianópolis, Criciúma, Lages e Joaçaba. Nadando de braçada e sem concorrência na área, a companhia começou a conquistar seu espaço, seu público e trouxe vida às rotas regionais da região Sul do Brasil que haviam sido abandonadas anteriormente.
          Em meio ao crescimento, a companhia decidiu suspender os voos em Caxias do Sul, após nove meses de operação, alegando prejuízo na rota e baixa ocupação.
          Outra novidade em 2007, foi o início da parceria com a TAM Linhas Aéreas (atual LATAM Brasil) possibilitando aos passageiros da NHT se conectarem e acessarem os voos da TAM e vice-versa. O ano de 2007 terminou com rumores de que a companhia voaria também aeronaves com capacidade de 50-70 passageiros a partir de 2008.
          No período de 2008 a 2011 a NHT recebeu mais um LET-410, o PR-NHE e posteriormente o PR-CRX, que operava anteriormente na Cruiser, outra empresa aérea regional do Brasil que não existe mais. O PR-NHF, que seria o sexto turboélice da encomenda com a fabricante da República Tcheca, jamais foi entregue, mas ainda assim a companhia chegou a ter seis aeronaves do modelo simultaneamente em sua frota por conta do PR-CRX.
          Novos voos surgiram, mas por outro lado, outros deixaram de existir, como as ligações para Livramento/Rivera e também para Navegantes, que foram suspensas enquanto a aérea ajustava sua malha. Os boatos das aeronaves de 50-70 passageiros aumentaram e tudo indicava que a empresa traria para sua frota o canadense Dash 8. O fato não aconteceu e os turboélices não chegaram sequer a ser encomendados.
          A parceria com a TAM foi ampliada, permitindo à empresa vender três outros destinos da NHT: Criciúma (SC), Passo Fundo (RS) e Erechim (RS). Empresas como Oceanair e a TRIP Linhas Aéreas estudaram iniciar/retomar ligações regionais na região Sul, mas foram só “ameaças”.
          Em outubro de 2009, o PR-CRX teve problemas com o trem de pouso dianteiro e sofreu um incidente ao pousar no Aeroporto de Caçador. A aeronave vinha de Curitiba com 5 passageiros a bordo e ninguém ficou ferido. Em menos de uma semana, outro LET da companhia teve problemas ao pousar, mas agora em Porto Alegre. Os pneus do turboélice estouraram e o aeroporto da capital gaúcha precisou ser fechado durante um período para pousos e decolagens.
          Algumas promessas como voos para certas cidades e aeronaves de maior porte acompanharam a companhia ao longo de sua trajetória e nunca vieram a se concretizar. Ainda em 2009, a NHT voltou a estudar a incorporação de novas aeronaves e então olhava para o Embraer 145. Na época a aeronave voltava aos céus do Brasil nas cores da Passaredo (VoePass).
          No ano de 2010 houve uma redistribuição dos slots no aeroporto de Congonhas e a NHT conseguiu alguns. Tão logo já anunciou seus voos para a capital paulista com ligações de/para Curitiba.
          A empresa iniciou seus voos em Congonhas em abril de 2010 com um voo diário para a capital paranaense. O pequeno LET concorria com os grandes jatos da Boeing e da Airbus que já voavam no trajeto. Após conseguir os slots no aeroporto central de Congonhas, a NHT mais uma vez tentava trazer aeronaves maiores, cogitando agora o ATR42, ATR72 ou o CRJ-200 e até voltou a falar sobre o ERJ-145.          Nesse meio tempo, a empresa fechou a base de Erechim, depois estudou reabri-la, assim como Caxias do Sul. Suspendeu e retomou o voo para Congonhas e ainda cogitou explorar algumas linhas no interior do Paraná. Ao longo desses anos, a NHT tentou negociações com o governo para tentar baixar os impostos, principalmente sobre o combustível (ICMS) que na época era por volta 17% no Rio Grande do Sul.
Fotomontagem via Wikimedia Commons
          Após alguns meses de rumores, em maio de 2012 foi anunciada a compra da NHT pelo grupo catarinense Acauã, de Balneário Camboriú. Naquele momento a companhia estava operando em 15 municípios com seus 6 LET410 e com uma equipe de cerca de 100 colaboradores, no entanto as aeronaves não foram adquiridas pelo novo proprietário e aos poucos os LETs começaram a ir embora do país. A proposta do grupo catarinense era trocar o nome da companhia para BRAVA Linhas Aéreas e operar com o Embraer 120 Brasília.
          Em setembro de 2012, o PR-NHD foi o primeiro dos turboélices tchecos da NHT a deixar o Brasil e voou para as Ilhas Comores, na África, já com as cores da sua nova operadora.
          Com uma transição confusa de comandos, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) aprovou em fevereiro de 2013 a mudança de NHT Linhas Aéreas para BRAVA Linhas Aéreas e a partir daí, todo o planejamento e ambição que a ‘nova’ empresa aérea do Brasil dizia ter, foi por água abaixo. Promessas de rotas que jamais foram abertas, como a que ligaria Santa Maria ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. A data do lançamento desse novo voo tão anunciado pela empresa mudou pelo menos três vezes e jamais estreou. Também foi comentado que em um ano a BRAVA estaria com dez Embraer Brasília em sua frota, sendo que o primeiro deles (PR-MDP) ‘sofreu’ para ser incorporado e quando o foi, mal voou pela empresa. Aquele pensamento de aeronaves maiores, mesmo com donos diferentes, não deixou de existir e houve negociações para trazer cinco jatos canadenses CRJ-200. A negociação não foi para frente.
          Metade dos LETs foram embora, três ficaram operando pela BRAVA, um deles, o PR-NHE, chegou a receber o adesivo da companhia. A homologação do Brasília demorou para se concretizar e nesse meio tempo, um dos LETs precisou parar para realizar manutenção e o contrato dos outros dois expirou. As operações da nova aérea foram paralisadas.
          Sem qualquer perspectiva de retorno, a BRAVA encerrou ali seu curto e instável voo, sem uma nova chance para decolar e levou junto a querida regional gaúcha NHT Linhas Aéreas. Mesmo com algumas questões instáveis em relação à sua malha e a promessas jamais concretizadas, a NHT trouxe vida à aviação regional do Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul e deixou sua marca na aviação brasileira.        
(Fonte: Diário de Santa Maria / site ocdholding / ontimeaviation - partes)

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